EU DANCEI NA MISSA
Compartilho uma experiência de ancestralidade que vivi no início de 2025, durante um evento na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos*, em Salvador. Após o evento, todos decidiram ficar para a missa da terça-feira da bênção, um momento especial do culto. Durante o ofertório, observei a oferenda de pães e a dança de gratidão de homens e mulheres negros, ao som de instrumentos de percussão. Um rapaz do grupo me provocou para dançar, e eu aceitei, movida pela alegria e pela sensação de conexão profunda com o sagrado que escolhi para adorar: Jesus. Naquele momento, senti uma ligação especial com a celebração, como se estivesse vivenciando a forma como africanos e africanas expressam sua fé durante o ofertório. Embora não seja africana, como afrodiaspórica nascida e criada em Salvador, a cidade mais negra fora da África e com forte influência iorubá, senti uma profunda felicidade. Acredito que, durante a travessia forçada do Atlântico, nossos ancestrais, espalhados pelas Américas, ...